quinta-feira, 8 de maio de 2014

Hospitais públicos do DF tentam certificação nacional de qualidade

Até agora título foi conquistado apenas por unidades particulares

Sete hospitais públicos do Distrito Federal foram escolhidos para participar do processo de certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que atesta a qualidade dos serviços prestados aos pacientes. Esta é a primeira vez que a rede pública de Brasília corre atrás do título, conquistado até o momento apenas por unidades particulares.

Essa iniciativa faz parte da terceira etapa do programa de recuperação dos hospitais públicos da atual gestão de governo. A primeira fase envolveu as obras e reformas das unidades, a segunda foi a atualização tecnológica e, esta última, considerada a mais difícil, é a mudança do processo de trabalho com foco na qualidade hospitalar e segurança do paciente.

"Não tínhamos a menor condição de participar do processo de certificação nos anos anteriores a esta gestão. O sistema estava todo sucateado. Agora, posso afirmar que todos os hospitais participantes têm plenas condições de serem acreditados", ressaltou o subsecretário de Atenção à Saúde, da Secretaria de Saúde, Roberto Bittencourt, à Agência Brasília.

Participam do processo os Hospitais da Asa Norte (Hran), Materno-Infantil (Hmib), Sobradinho (HRS), Paranoá (HRPa), Taguatinga (HRT), Ceilândia (HRC) e Santa Maria (HRSM). As avaliações começaram em abril e prosseguem até 14 de maio nas unidades. Neste primeiro momento, elas receberão um diagnóstico que servirá como apoio para possíveis ajustes.

Além da visita técnica, onde são elencadas as possibilidades de melhoria, existem mais três etapas até a entrega da certificação. A segunda é a capacitação profissional durante três meses, onde participam o diretor de cada unidade e servidores. A terceira é uma nova visita técnica para ver se os problemas foram resolvidos, e a última é a decisão final.

"Faltam apenas os hospitais de Taguatinga e de Santa Maria para receberem a primeira visita. É uma tendência mundial ter a acreditação. Fora do país, ser acreditado ou não é um critério para um hospital permanecer funcionando ou não, e é uma política dos hospitais privados no Brasil que estamos trazendo para a realidade da rede pública", destacou Bittencourt.

Existem, atualmente, na capital federal sete hospitais particulares que possuem a certificação. De acordo com o subsecretário, no Brasil, apenas duas unidades de saúde pública – com gestão privada - conseguiram o título. "Se conseguirmos, o DF será a primeira unidade da Federação a ter hospitais públicos de administração direta com o certificado."

PARTICIPANTES – Todas as unidades de Saúde escolhidas para participarem do processo são certificadas como hospitais de ensino ou estão em vias de conseguí-lo. Isso porque, de acordo com o subsecretário, eles já recebem visitas técnicas e "têm a cultura da qualidade instituída. Vamos apenas aprofundar essa questão. Esse foi o único critério que utilizamos".

Segundo ele, uma vez acreditado, o hospital tem visitas técnicas constantes para saber se o que foi melhorado está sendo mantido. E aquele que não conseguiu o título continua recebendo capacitação e treinamento até conquistá-lo. "Esse é um processo que sempre está em andamento, não acaba", relatou.

O DF contratou o Instituto Qualisa de Gestão (IQG), consultoria com selo da ONA, para apoiar as unidades durante esse processo. São três avaliadores em cada hospital que utilizarão o Termômetro de Segurança, ferramenta via web com um questionário que poderá ser respondido voluntariamente.

VESTINDO A CAMISA – Para sensibilizar os servidores, o Hmib reuniu a equipe para explicar a importância do certificado para a unidade. "A maioria não sabia para que a acreditação servia e, depois que explicamos, foi uma injeção de ânimo. Eles até vestiram uma camiseta com os dizeres 'Acredita Hmib'", contou a chefe do Núcleo de Segurança do Paciente, Fabiana Mendes.

De acordo com ela, o tema não é uma novidade para o hospital. "Estão dizendo nos bastidores que estamos indo muito bem. Trabalhamos a segurança do paciente há um ano. Além disso, todas as terças trabalhamos um tema de relevância sobre qualidade e segurança. Nossa principal meta é a mudança de cultura", enfatizou a profissional.


Existem três tipos de certificação de responsabilidade da ONA: o 'Acreditado', 'Acreditado Pleno', 'Acreditado com Excelência'. Os hospitais do DF estão tentando conseguir o primeiro, voltado para a segurança do paciente, fato que não impede que alguma unidade tente os outros dois certificados posteriormente.

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